Caros visitantes,

espero que vocês divirtam-se muito lendo minhas palavras. Peço, porém, por ser esse um trabalho independente, que não republiquem meus textos - inteiros, partes, frases, versos - sem minha expressa autorização. A pena para crime de plágio é dura, além de ser algo bastante humilhante para quem é processado. Tenho certeza que não terei problemas com relação a isso, mas é sempre bom lembrar!

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sobre o passado vendo o futuro



Desde muito cedo pensei sobre o que seria o meu futuro. Desde muito cedo pensei onde estaria na idade que estou agora. Muito cedo decidi qual seria minha profissão ideal: ator. Era simplesmente porque os atores podiam viver várias vidas sem ter que de fato decidir por nenhuma delas. Eu tinha tantas opções que me interessavam, podia ser médico, acrobata, limpador de janelas. Cedo decidi que seria ator. Quando veio o fatídico dia do vestibular, eu já sabia que prestaria teatro em algum canto, seria aceito e tudo ficaria bem. Não fui aceito e não ficou tudo bem. Perdi o chão, fiquei desnorteado e todos os clichês que se seguem a um fracasso. Fiz cursinho, conheci muita gente, inclusive de teatro, e resolvi percorrer o caminho das letras. Não me arrependo, acho que o escritor é um tipo de ator, só que ele não age, ele imagina, fica trancado em seu quarto escrevendo sobre guerras inteiras, por vezes apenas interiores. Guerras reais e guerras interiores.
O problema é que fazer letras abriu ainda mais minha cabeça para o mundo, para as injustiças, para as relações humanas e suas verdades e mentiras que se mesclam sem que ninguém nunca saiba onde começa uma e termina a outra. Às vezes eu só queria ter um rompante de criatividade e sentir as palavras fluindo de meus dedos para a tela do computador para criar uma obra de arte fantástica, uma história que fique na cabeça de todos, que seja discutida em aulas de literatura e que me permita comprar um apartamento. 
Eu sempre me interessei por apartamento, talvez por nunca ter morado em um. Aquela coisa sala meio quarto meio cozinha me agrada. Sei que muita gente deve odiar morar em quitinetes ou pequenos apartamentos, mas nesse momento era tudo que eu queria. Arrumar meus livros em estantes e não mais deixá-los empilhados por aí. Dar um lugar justo para Lygia Fagundes Telles, para Caio Fernando Abreu e tantos outros. Juntar por assunto ou por área ou por escritor. Deixar minhas roupas bacanas nos cabides e não enfiadas nas gavetas com cheiro de nunca mais. Dinheiro é um problema real e eu odeio isso.
Nunca achei que dinheiro fosse ser um problema tão real. Não gosto de dinheiro, nunca pensei em ter muito dinheiro, mas agora vejo como essas notas malditas são necessárias. A sociedade não gosta de artistas, nunca gostou, não sei porque achei que seria diferente comigo. Trabalho porque preciso pagar minhas contas e ainda assim trabalho muito e ganho pouco, situação que pretendo melhorar em breve. Procrastinação é algo que se enreda na gente e deixamos tudo parado – vida, relacionamentos, pensamento, livros. Agora estou aqui e são quase três da manhã e eu não consigo dormir porque tenho pensamentos sobre o futuro.
Dizem que o Machado de Assis escrevia cinquenta páginas por dia e poucas delas ele usava para seus romances e ficou conhecido como o maior autor brasileiro, mesmo que hoje poucas pessoas o leiam e das que leem poucas o entendem. Eu quando escrevo é só uma, duas quando a inspiração é grande. Eu podia simplesmente largar tudo e desistir de escrever, já que eu não sirvo para isso, mas não consigo. Simplesmente não consigo. Tem vezes que eu fico parado, muitas vezes até no meio de uma conversa e fico pensando em cenas, personagens ou frases que precisam ser colocadas no papel. Podem até ser jogadas fora depois, mas precisam pelo menos ser vistas por esses meus olhos sonhadores.
Acho que ser muito sonhador é o que me atrapalha. Se eu sonhasse menos e fosse menos viajante, talvez já tivesse conseguido algo mais concreto.
E como eu faço para ser menos viajante?

3 comentários:

Karina Mochetti disse...

Dica: se vc tiver um apartamento e uma Puppy vai ficar tudo em caixas do mesmo jeito... :P

Giselle Silva disse...

Talvez, querido, vc precise viajar por outros ares e lugares... talvez olhar o mundo com outros olhos... não precisa matar a poesia ou sufocar seus ideais... somente poder canalizar melhor tudo de lindo que há em você... E, por favor, não veja em minhas palavras um anseio otimista vazio! É real e verdadeiro (e você deve saber que é mesmo). Eu também escolhi viver da psicologia, uma profissão também muito desvalorizada pela sociedade, burguesa e estereotipada como algo que só serve para loucos... Mas acredito na minha psicologia e desde o ano 2000, quando ingressei no curso, me dedico arduamente. E sabe... não foi e nem é fácil viver daquilo que se acredita e ama! Já tive de passar por cada coisa... mas o que me impele a continuar é que posso fazer o bem pra muita gente... E VOCÊ, COM A SUA ARTE TAMBÉM! Você não pode deixar de acreditar em você porque o mundo assim não quer oras! Você sabe e sente o seu caminho...A hora é começar um passo de cada vez, tropeçando, pisando em falso, caindo, mas nunca deixando de olhar que no horizonte está o seu objetivo... ah, e não esquecendo também que a felicidade se faz no percurso e não somente na chegada...

Beijo!

Anônimo disse...

E ser sonhador não te atrapalha, é o que faz você continuar escrevendo mesmo quando você não pode mais.
Eu, por mim, espero que você nunca deixe de ser e, na verdade, te desejo ainda mais sonhos.