Caros visitantes,

espero que vocês divirtam-se muito lendo minhas palavras. Peço, porém, por ser esse um trabalho independente, que não republiquem meus textos - inteiros, partes, frases, versos - sem minha expressa autorização. A pena para crime de plágio é dura, além de ser algo bastante humilhante para quem é processado. Tenho certeza que não terei problemas com relação a isso, mas é sempre bom lembrar!

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domingo, 28 de abril de 2013

Imposto de Merda


Estou eu - como provavelmente milhões de brasileiros - brigando com o imposto de renda. Eu acho que eles ainda vão desenvolver um programa em que apareça a seguinte pergunta:

"Imposto de Renda Ano X - Fazer". Aí eu decido entre sim e não. Nossa, como eu sonho com isso. 

Não me dou bem com números e isso já deve ter ficado óbvio para os meus parcos leitores. Odeio. Odiar também não é verdade, porque várias vezes me peguei fazendo contas aleatórias para passar o tempo. Eu sei, puta passatempo besta, mas o que eu posso fazer? Uns anos atrás eu fui fiscal de uma prova importante em uma escola que eu trabalhava. Foi um sábado de manhã, oito da manhã e a prova durava quatro horas e eu não podia fazer nada. Não podia ler, nem comer, nem ouvir música, nem mexer no computador, nem coisa nenhuma. Eu não podia nem escrever, tinha que estar o tempo todo de olhos nos infelizes fazendo a tal da prova morfética. E tinha só umas folhas de papel em branco (para anotar sabe-se lá o que se eu não podia escrever nada!) e comecei (ilegalmente, sim, sou o pior fiscal do mundo) a fazer continhas, depois fui pra expressões. Exercitar o meu cérebro e não dormir. Foi uma das coisas mais difíceis da minha vida. Podem ter certeza. 

Aliás, dormir é uma coisa bacana. Eu adoro pegar ônibus, por exemplo. Adoro mesmo. Não gosto de ônibus lotado, lógico, mas gosto. Chego mais cedo, acordo mais cedo, fico esperando, não me importo com nada disso. Levo até meu livro para ler na viagem. O problema é justamente esse. Quando entro em um ônibus (principalmente aqueles de viagem) e sento eu começo a morrer de sono. E durmo. Fui de Paris a Lisboa em 28 horas. Olha, posso dizer que dessas 28 eu dormi umas 20 pelo menos, se não mais. E não precisa ser ônibus chique de viagem não, o ônibus circular também me provoca isso. Perdi a conta de quantas vezes eu deixei passar o ponto quando ia pra faculdade. Quando eu via tinham passado 3 ou 4 paradas e eu tinha que voltar tudo correndo pra chegar na aula na hora! 

Outra coisa que eu amei na primeira e nas outras já transformei em várzea foram os trens na Europa. Eu nunca tinha andado de trem daquele jeito, então minha expectativa era grande. Eu tinha planejado ler, tomar café, comer alguma coisa, namorar, coisas que a gente vê as pessoas fazendo nos filmes. Eu fiz um pouco de tudo, mas também capotei várias vezes. Café eu acho que não tomei, mas lembro quando eu e Karina - my dear girlfriend - tomamos uma cerveja quilométrica. É, não tem outro termo para isso. Era um copo enorme e uma cerveja forte e cara. Tínhamos grana para uma cada um. E sem dinheiro para comer. E estávamos sem comer fazia tempo. Bebemos relativamente rápido e o trem chacoalhava e a gente via o penhasco bem do lado. Ficamos tontinhos e demoraaaamos pra achar nossa cabine.

Bom, seja como for, fazer essa declaração é mesmo uma chatice. Números, números, números e quem me conhece sabe bem como é minha relação com os números. Para quem não me conhece, posso apenas dizer que não é das melhores. Preciso parar para lembrar a taboada e por aí vai. E não tenho vergonha nenhuma disso, oras. Acho que cada um tem sua habilidade. A minha definitivamente tem a ver com as palavras e frases e não números. Números, hunf!
Enfim, briguei à beça com as máquinas tentando achar a bendita da declaração do ano passado para poder importar os itens e não sei mais o que. Não achei. Achei em papel que o meu contador tinha feito, então o tal do arquivo .rec e .dec que seriam necessários não são mais. Não me incomodo em escrever tudo de novo. Não é muito dinheiro mesmo, então nem demora.

Como eu queria não ter que fazer isso!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Herói

Acho o conceito de herói um tanto estranho. Parece que os filmes e livros incutiram em nosso cérebro (bem no meio das membranas plasmáticas e neurônios doidos que pulam e pululam) a idéia de que o herói é aquele cara másculo e corajoso que sobe na árvore gigante para resgatar o gatinho da donzela. Ou o presidente americano que salva um avião dos invasores terroristas (durante um bom tempo eram os russos que faziam esse papel, hoje em dia serve qualquer um que venha do famoso "eixo do mal" bushiano). Acho que esses caras (e aqui estou pensando também em mulheres) são heróis também, mas não só. Imaginem que aquele cara que por um acaso ouviu os apelos da donzela para se lhe salvassem o gatinho fosse um assassino serial. Ele deixa de ser maléfico porque naquele momento fez um gesto de caridade. Acho confuso. 

Eu, dentro do meu modo de pensar, acredito na idéia dos pequenos feitos e não tanto nos grandes gestos. Acredito que o herói de verdade não precisa sair por aí com uma placa no pescoço com o rol de todos os seus feitos. Herói para mim é o cara (e muitas vezes a mulher) que simplesmente é e exatamente por esse ser me provoca admiração. 

Gosto de pessoas com personalidade e não de marias-vai-com-as-outras ou gado, como eu gosto de chamar. Aquele papo de comprar o que é da moda porque está na moda ou ir no lugar da moda ou fazer o que está na moda não me atrai, não me seduz. Eu faço o que gosto, leio o que me interessa, ouço o que me atrai o coração. Se por ventura estiver na moda, muito que bem, se não, que pena, ouvirei do meu jeito, lerei da mesma forma, farei mesmo assim. 

Estava conversando sobre isso com uma amiga outro dia, esperando o pai dela chegar para lhe dar carona, e ela me disse: "você é muito seguro do que gosta e não gosta e não tem medo de dizer. Eu admiro isso em você." Ela disse e eu fiquei pensando. Não tinha me dado conta, mas é isso mesmo. Não tenho medo de dizer que gosto do que gosto. Também não tenho saco para aquele povo que fica posando de cult e dizendo  "ah, só faço o que eu quero". Não é assim. Faço muitas coisas que não necessariamente gosto, mas no momento estou falando do que faço no meu tempo livre. (e eu posso me contradizer porque esse é o meu blog e eu escrevo sobre o que eu quiser, oras.)

Por exemplo, não tenho medo de dizer que adoro a Barbra Streisand. Teoricamente, eu deveria esconder isso, chamar de "guilty pleasure" (que é aliás o nome de um dos discos dela) e não falar para ninguém. Não. Eu gosto, acho que ela é uma ótima cantora, gosto do que ela canta e não tenho porque não falar isso. E, percebam, eu gostar dela não significa que eu ache que ela seja perfeita e que todo mundo tenha que gostar também. Pelo contrário, sou partidário daquela máxima de que "gosto cada um tem o seu". Não gosto dessa coisa de forçar seu gosto para os outros. Sou roqueiro e penso "quem não ouve rock é imbecil" ou sou axezeiro e não entendo como alguém possa não gostar de axé. Acredito na pluralidade. Acho que tem espaço para todo mundo. E eu posso gostar um pouco de tudo. 

E não necessariamente preciso gostar (como já disse) de tudo que a pessoa fez. Eu gosto muito da cantora Simone, por exemplo, mas reconheço que o disco dela de Natal (que toca em todas as lojas todo ano) é uma merda. Foi um absoluto tiro no pé, em termos artísticos, mas foi um tiro no alvo em termos mercadológicos. É o disco dela que mais vende. Acho que não consigo explicar direito, mas vou falando. 

Às vezes até sabendo que o disco ou o livro são ruins eu gosto. Eu sempre dou o exemplo do disco "Tonight" de 1984, do David Bowie, que todos sabem ser um dos meus maiores ídolos. Esse disco é o seguinte: comparando-o com a produção do Bowie, esse disco é péssimo. Os arranjos são horríveis, as músicas tranqueiras, a voz dele estranha e a produção sem comentários. É sim o pior disco dele. Comparando com outras coisas lançadas na década de 80, é uma jóia rara. Seja como for, o que interessa é que eu sou fã e vou comprar e vou gostar de qualquer coisa que ele fizer, mesmo se for uma coletânea de funk carioca ruim. 

Estou me desviando do meu intento, como sempre. Comecei esse texto porque eu queria falar de um cara que é um dos meus heróis. Ele se chama Antonio Nóbrega, é recifense e tem 60 anos. Folião, cantor, dançarino, rabequeiro, contador de histórias, Nóbrega é um ilustre desconhecido para muita gente. Eu tive a sorte de ter uma mãe antenada com coisas do Brasil e desde muito criança ouço falar dele e de suas histórias. Eu tive a sorte de encontrá-lo dez anos atrás (como o tempo passa!) em Campinas em um pocket show de seu cd de então na FNAC. O show foi ótimo, mas o que mais me impressionou foi ele dar saltos no ar, como se tivesse dezoito anos. Ágil, forte e grande cara. O disco (minha mania, adoro falar disco e não cd) em questão era "Lunário Perpétuo", uma homenagem aos almanaques de antigamente que falavam dos astros, de músicas, de charadas, histórias e muitas outras coisas. Esse disco é um dos melhores da minha cd/dvd/vinil/livro - teca!

Ele sempre foi um artista do povo para o povo. Eu ouvi uma história sobre ele, eu não sei o quanto é verdade e quem conta um conto aumenta um ponto então vamos lá: 

Ouvi que ele trouxe um de seus shows para o Theatro Municipal de São Paulo. Na platéia, pessoas riquíssimas, um ingresso muito caro. Muita gente ficou de fora, uma fila enorme. Muita gente não conseguiu comprar os ingressos. Ele mandou abrir as portas do teatro e fez uma parte do show - de graça - para o povo que ficou para fora. Depois voltou para dentro e fez o show inteiro para quem tinha pago. Isso me fez admirá-lo ainda mais. Um enorme respeito pelos fãs, uma coisas que eu tenho certeza que muitos dos que agora se intitulam "artistas" jamais fariam. 

Lembro de Antonio também em um espetáculo que fiz - vários anos atrás - em que entrávamos todos os atores cantando e dançando uma de suas músicas! 

Antonio Nobrega, espero que sua carreira ainda dure muitos anos e que você fique cada vez mais conhecido em todo o país! 

A minha canção favorita do cd, uma homenagem à Guimarães Rosa e seu Riobaldo e Diadorim! 

"O Romance de Riobaldo e Diadorim" - veja aqui

Viva Antonio Nobrega!! 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"She"

É incrível como as canções tem uma ligação enorme com minhas memórias. Eu escuto alguma música por aí e lembro do lugar em que eu estava quando a ouvi pela primeira vez ou quando ela passou a fazer um sentido diferente para mim. Já escrevi em outros textos que a música é vital para mim. Hoje estendo a frase e digo: a música é vital, sim, isso não muda, mas percebi e percebo cada vez mais claramente que ela é feita de sons e silêncios. Silêncios estavam me fazendo falta.
Algumas canções tem o poder de me deixar animado, querer conquistar o mundo e outras conseguem me detonar para não querer mais levantar. Os cds que eu levo no carro, por exemplo, são pensados antes. Não deixo qualquer coisa lá. Coisas calmas, baixinhas, não devem ser ouvidas lá porque com tudo que acontece ao mesmo tempo (dirigir, parar, prestar atenção) não consigo nem ouvir direito. 
Estou pensando nisso porque hoje ouvi por acaso uma música que me lembrou um filme e esse filme é quase um sonho para mim. Pode ser ridículo, mas quem me conhece sabe que, apesar dessa minha cara mega-cult, eu sou é um romântico. E que filme é mais romântico que "Um Lugar Chamado Notting Hill"? Aí eu lembrei do meu sonho de morar em Londres, de ter um apartamento com plantas (samambaias) e livros pra tudo que é lado. Não gosto tanto de móveis, acho que se tivesse um apartamento só meu, ele teria poucos móveis. Eu gosto do espaço para deitar, talvez colocasse uns puffs, sabe? Eu acho bacana. Não seria necessariamente na moda, mas seria a meu gosto. Enfim, a música é "She", que é a versão em inglês de uma música do grande Charles Aznavour, que na trilha do filme é cantada pelo Elvis Costello. 
Fiquei lembrando da música, do filme, do meu sonho (que está sendo realizado em parte, já que estou trabalhando em uma livraria e uma parte do sonho era essa) e fiquei meio melancólico. Logo voltei porque tinha que focar no trabalho, mas fiquei um pouco.

Às vezes eu acho que eu escrevo para ajeitar as idéias. Às vezes eu acho que as deixo ainda mais confusas. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

BOWIE RESSURGE!!!!


Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Uns podem achar besteira de fã, até concordo, mas nem ligo. O meu grande ídolo finalmente saiu do seu exílio auto-imposto e resolver lançar um disco novo.

Devo dizer que depois de anos esperando, ouvindo boatos de que ele estaria doente, à beira da morte, boatos de que ele teria se aposentado, boatos de que teria morrido, ver Bowie ressurgir é emocionante.

Esse ano, tive a oportunidade de ir à Berlim e confesso que um dos meus objetivos era encontrar o apartamento que Bowie morou nos anos 70. Arrastei a coitada da minha namorada Karina Mochetti junto. Foi ótimo. E esse é o apartamento que aparece no clipe.

O nome do meu blog é em homenagem a ele, muitos conhecem a minha coleção infinita de artigos Bowianos.

Nem sei o que dizer, poderia ficar aqui falando e falando e sei que nem todo mundo vai ler isso, mas não importa.

Hoje é um dia feliz.

http://rollingstone.com.br/noticia/david-bowie-lanca-musica-e-anuncia-primeiro-disco-em-dez-anos/


sábado, 24 de novembro de 2012

Era Natal


Ele gostava tanto de Natal que era irritante. Se era meio, muito ou super irritante, isso dependia de quem dava a resposta. O que interessa saber é que ele passava o ano inteiro pregando ideais de amor e paz, de união entre as pessoas e tudo o mais. Os outros moradores da vila se sentiam acuados. Ele parecia estar em todos os lugares, aquele homem. Não havia nada que eles fizessem que ele não estivesse ali para aprovar ou para repreender. Uma bituca de cigarro jogada na rua poderia servir de munição para sermões por uns bons dias.

Só as crianças gostavam dele. Sempre colocava uma barba branca e uma roupa vermelha e dava presentes para elas. Ele era uma fonte de fantasia para elas que, apesar de tão jovens, já viviam em condições difíceis.

O tempo passou e, ao contrário do que se esperaria, as pessoas da vila passaram a gostar menos ainda dele. Invadiram sua casa, roubaram várias de suas coisas e disseram que suas crianças não se aproximassem dele.

Ele andava amargurado pelo parque da cidade quando foi atacado. Três homens deram-lhe socos no estômago e um cortou sua garganta. O sangue escorreu pelo seu peito. Jogaram-lhe neve no rosto.

Aquela sangue e a neve faziam com que ele parecesse uma espécie de Papai Noel macabro.

As pessoas daquela vila já haviam desistido de fantasia. 

domingo, 28 de outubro de 2012

BLOCKED

I                       am                    blocked.

It is said that for you to write you must have feelings for something
And I guess that is my problem

I              can't  feel.

I can't even decide if what I am writing is poetry or prose or just a bunch of words that came out of nowhere and are just putting themselves together for the fun of it. I guess this last option is more likely to be happening.

So what, then?

Am I to be controlled by my words rather than them be controlled by me?

"I never said I was deep", sings Jarvis in my radio and I would have to agree with him. I mean, I am deep, I just can't write anything that is good enough to even be considered prose or poetry or whatever.

It's hot in here. The window is open, but the wind has left the building. I feel like I am gonna melt to death. Maybe even melt Death itself. That would be wrong and exciting at the same time, wouldn't it?

I don't even know what I am doing. For all I know, I could keep writing for the whole night long and that would still bothers me. Sometimes, sometimes, only sometimes I wish I had normal feelings. I am always on a verge of something and, Gosh, how difficult it is to relax. Relax.

I can't do this. The TV and the table lights are on, but I guess I AM OFF. Off the table, off the consideration, off life.

I better sunk into a nice dream and swallow my bitterness and my melancholy. They have always come and they will always come to ruin my days, together with my inner voices. If it is bad enough for each of us to have a voice in our heads saying what to do, what about a voice that inflates you to do something you might not be entirely ready to do it.










I AM LEARNING HOW TO FEEL AND HOW TO FEAR.

Whisky



Hoje eu acordei pensando que o céu deveria ser mesmo verde. Pensem bem (e não, isso não é o plural de um computadorzinho de um jogo de séculos atrás), não é muito mais lógico ele ser verde? Olhem para a quantidade de florestas que ainda existem no mundo. Comi um pedaço de sanduíche delicioso e sei lá a loucura é belíssima. Profissionalismo zero ainda, mas vivo em montanhas de livros e bebo Whisky. Gostaria de ver o céu verde, vou conversar com meus amigos físicos e ver se isso é possível. Sei lá se é, deve ser, quem sabe, quem sabe. O 007 e o MacGyver devem saber...