Caros visitantes,

espero que vocês divirtam-se muito lendo minhas palavras. Peço, porém, por ser esse um trabalho independente, que não republiquem meus textos - inteiros, partes, frases, versos - sem minha expressa autorização. A pena para crime de plágio é dura, além de ser algo bastante humilhante para quem é processado. Tenho certeza que não terei problemas com relação a isso, mas é sempre bom lembrar!

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Explicação

Essa vida de escritor tem sempre coisas boas a oferecer. Escrevi esse último texto "Um Só Olhar" e mostrei pra algumas pessoas, que gostaram. Porém uma delas gostou de um jeito diferente. Quis fazer uma paródia de meu texto, apresentando a visão da moça. Fiquei tão emocionado e me senti tão homenageado que resolvi postar o texto dela no blog, como forma de agradecimento a esse gesto tão bonito.

Agradeço a ti, minha querida Aléxia Galvão, por ter-me dado o prazer de ler suas palavras emaranhadas nas minhas!

Tenho certeza que vocês vão gostar!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um Só Olhar

E quem era ela? E de onde vinha?

Ele andava sozinho há um tempo. Parecia que nada dava e nem daria certo em sua vida amorosa. Várias mulheres o haviam tentado, mas nada. Apenas alguns casinhos, beijinhos, romancinhozinhos, nada de cativante. Talvez essa falta de uma companhia interessante e de fato companheira fizesse com que ele somente visse filmes água-com-açúcar, romances bestas em que tudo dá certo no final. Sua irmã mais velha já tinha nomeado aquilo de filmes de ficção científica, já que, para ela, era apenas uma pilha de besteiras.

Mais de uma vez ele havia tentado tirar filmes de guerra, terror, ou mesmo suspense – algo de que ele sempre gostou, por estimular a mente – mas nada disso o atraía mais. Alguns ele até pensava em ver, mas seu cérebro mandava a mensagem de que eram muito difíceis ou até mesmo chatos.

Aquele dia havia resolvido tentar tirar algo diferente, como fez, mas o tal água com açúcar apareceu na terceira escolha, “pra relaxar a cabeça”.

Ele estava absorto em seus pensamentos, ouvindo a mulher do caixa dizer que o filme que ele havia escolhido era muito bom, pois tinha feito seu marido revê-la na cama e patavina furada. O que queria ele saber da vida íntima da tal atendente? Deu um sorriso educado e já se preparava para voltar ao carro, quando aconteceu.

Depois de conferir para que dia os filmes deveriam ser devolvidos e qual o valor total, ele levantou os olhos para o lado para ver duas moças que haviam acabado de chegar e conversavam sobre ele não sabia o que. Seus olhos encontraram os de uma delas.

Ele a olhou rapidamente, quase não viu nada, mas percebeu que ela usava uma blusa branca, com uma calça esverdeada e os cabelos, avermelhados desbotados, presos em um meio rabo de cavalo. Seus olhos foram provocadores e instigadores em milésimos de segundo. Ele estranhou e sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Seriam olhos de desejo? Geralmente era ele que tomava as iniciativas, marcava os encontros, ligava, mandava recados no Orkut, ou chamava na janelinha do MSN. Naquele caso, não. Ele a olhou com curiosidade e ela o olhou de volta. Várias vezes a resposta da garota era simplesmente olhar para baixo e ignorá-lo, como se ninguém estivesse fazendo nada. Mas não essa. Ela o olhou de cima a baixo, o que o fez pensar de que talvez o estivesse olhando desde a hora em que entrou na locadora.

Tudo aconteceu muito rápido e seus torpes, atormentados pensamentos acompanharam a rapidez. Foi sua vez de baixar os olhos, agradecer à moça do caixa pelo serviço e tomar o rumo do carro. Antes de sair, olhou de novo e os olhos lá permaneciam, fitando-o, mirando-o, invadindo-o. A sensação de ser olhado, talvez com desejo, era incomum. Ele não sabia o que se passava na cabeça dela! Tinha-o achado bonito? Parecido com alguém que conhecia? Feio? O homem mais feio da Terra? Qual tinha sido sua impressão? E essa dúvida o mortificava.

Saiu da locadora e só viu mulheres, todas pareciam estar olhando para ele. Todas. A que estava voltado para casa, carregando sacolas com compras, a que andava de bicicleta e que ele quase atropelou na ânsia de não saber o que fazer, a que corria à noite, para manter seu porte físico invejável. Todas. Os olhares o trespassavam. A garota da bicicleta estava acompanhada do namorado, amigo, ficante, primo, sabe-se lá, mas ele teve certeza de que ela o acompanhou pelo caminho.

Deu a volta no quarteirão, pensando em perguntar à moça do caixa quem era aquela que o havia despertado tantas emoções. Pensou em voltar à locadora e agarrar a moça nos braços e beijá-la com amor e fervor, como fazem em seus filmes de romance. Pensou em esperá-la dentro do carro e talvez segui-la para saber onde morava. Todas as opções pareciam boas e ruins. Pensou em escrever um livro sobre essa história, um Best-seller, vender milhões de cópias e ir morar em Surrey, Inglaterra. Com ela.

Passou novamente em frente à locadora e, por um milésimo de segundo, entre a loucura e a sanidade, pensou em parar e ir falar com ela. Da janela do carro, viu ao longe sua blusa branca. Ela ainda estava lá e a chance não podia ser perdida. Aquela mulher havia despertado mais emoções nele do que todas as últimas. Ela era Rembrandt, Monet, enquanto as outras eram figurinhas de álbum. Ela era Joni Mitchell, enquanto as outras eram Tati Quebra-Barraco. Ela era rock’n’roll, enquanto as outras eram pagode, e ele detestava pagode. Ela era bela, enquanto as outras eram feras.

Pensou em muitas coisas, mas desistiu. Ele a raptou e jogou-a em suas memórias. Baixou a cabeça. Acendeu os faróis. Seguiu seu caminho.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pra Ti

Derramei algumas lágrimas no caminho de volta pra casa
Confesso
Os pensamentos passando pela mente
Tão rápidos quanto as rodas do carro
e tortuosos e sinceros como nossa conversa.

Eu penso em você
O vermelho do sol poente me lembra você
E um nariz de palhaço

Eu queria andar de bicicleta, comer de bandeja,
Saber a diferença de um rato e um macaco
Conversar sobre os ovos que se quebram
e o cego mascando chiclete
Dormir na rede e correr na praça
E ouvir a coruja
Com você

São tempos difíceis, eu sei,
E amar é deixar ir, deixar partir,
Mas é duro te ver escorrendo das mãos
E sobrar a lembrança do que não tivemos

Pensamentos mutuamente diferentes e iguais
Massagem de mão, anéis
Confusão, confusão

Tem coisas que falo pra ti que nem falo pra mim
É fonte, é vida, minha e tua vida
Nem sei onde começa e termina nossa conversa
Tem coisas que falo pra ti que nem falo pra mim

Sarais, shows, peças,
E na platéia, seu olho iluminado
Você me amanhece o dia
Refúgio de fofocas, alguém pra correr nas horas tristes
E nas alegres também
Alguém de quem falar, pra quem falar, beijar, abraçar, ouvir

Entendo
Eu penso que entendo
É pena, mas me faço passarinho
E te espero em meu ninho
Se essa imagem te agradar

Se não, crio um mundo novo, só por ti

Durmo e penso

Só queria te chamar de “Gati”

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pecado

"Eu não sei se é proibido
Se não tem perdão
Se me leva ao abismo
Eu só sei que é amor

Eu não sei se este amor é pecado
Que tem castigo
Não sei se é desobedecer as leis honradas
Do homem e de Deus
Eu só sei que me atordoa a vida
Como um redemoinho
Que me arrasta, me arrasta
A teus braços em cega paixão

É mais forte que eu
Que minha vida, meu credo e minha sina
É mais forte que todo o respeito
E temor a Deus

Ainda que seja pecado
Te quero, te quero mesmo assim
E ainda que tudo me negue o direito
Me agarro a esse amor."

Canção de Carlos Bahr e Pontier y Francini, Argentina, 1975. (tradução minha)

Frenia

Meus pensamentos borbulham em mim
Como ponche em uma festa dos anos 50
De fato, até um retrato me muda
Uma raiva surda ou tristeza chorosa

Também alegre vejo que os problemas
Nem são tão problemáticos assim
Os sorrisos me derretem
E eu adoro

Rainha da Neve me esquenta
Dama do Verão me esfria
E a vida não é nada
Como contos de fada

Adoro saber que me amam
Preciso ouvir que me amam
Diga que me ama
Só se você amar mesmo

Solos de guitarra me animam
E os cabelos vermelhos me torturam
Se misturam aos meus
E ela não pode ser minha, ainda
(mas dá vontade)

Tori, me ajuda,
você também tem cabelos vermelhos
E eu ouso tocar piano
E a rosa despetalou no jardim

Ainda bem que sou poeta.

Puzzle

Here they come
Close your eyes and see
As Joyce said
The small big sins of our life
Dreadful sin

To die and love and live young
With maybe Jesus by my side
(the wild one)
And hands on a cigarette

Keep off the grass
And hang on

Hung the Dj, you prick
Hung the gossipers and
Let them burn to death

So untouchable, unbeliever
Just like a child crying
In a closed bedroom

Can I come closer?
To fulfill your emptiness
Smile like the flag in the wind

Here they come
The ruby, the golden
The Diamond Dogs.

domingo, 14 de setembro de 2008

Colo

Às vezes eu sinto uma tristeza profunda
Que vem não sei de onde e se instala
Corroendo todo meu ser

E as lágrimas se misturam na comida
Dando a ela gosto de sal do mar
Do mal

A minha alegria é delicada
Tenho que cuidar bem dela
Pois precisa pouco para derrubá-la
E ela se despedaça

Essa coisa de artista é karma e maldição
É bom por sentir tudo intensamente
É ruim por sentir tudo intensamente

Minha mente é fértil e atormentada
Viajo nas minhas próprias viagens
O mundo é muito mais simples do que vejo
E não consigo ser de outro jeito

Queria tanto alguém que ficasse ao meu lado
Que abrisse meus olhos e dissesse que me ama
E me entendesse

Cansei de juntar pessoas
E elas, juntas, me esquecerem
Cansei de dar idéias e não levar crédito
Cansei de dar colo e não receber de volta

Tenho fases e frases, sou de lua
Quem me ama, sabe
E esse é o problema
Amar

Estou sozinho
Solidão
Solitudine
E tenho um milhão de amigos.

Sou companheiro, gosto de gente
Mas sou temperamental
Assumo
Não fico em um espaço em que me sinta mal
Tento por um tempo, mas tenho meu limite

Não quero forçar ninguém a ser o que não querem
Nem quero que me façam isso

Às vezes me acham estranho
Sou mesmo
Às vezes acho que nem sou daqui
E outras vezes que sou muito daqui

Quero viajar e me voltar
Hoje quase bati o carro
Ia virar uma página virada na vida das pessoas

E o vermelho não me sai da cabeça.

Eu preciso conversar
Libertar essa tristeza e raiva de mim
Que me faz mal

Queria só falar e que alguém me ouvisse
E não me julgasse

Preciso de colo.
Preciso de cor.