Caros visitantes,

espero que vocês divirtam-se muito lendo minhas palavras. Peço, porém, por ser esse um trabalho independente, que não republiquem meus textos - inteiros, partes, frases, versos - sem minha expressa autorização. A pena para crime de plágio é dura, além de ser algo bastante humilhante para quem é processado. Tenho certeza que não terei problemas com relação a isso, mas é sempre bom lembrar!

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Múltiplo

Para Ricardo Adorno

Sorriso no rosto, cabelo arrumado
Ele sai pra trabalhar
É um grande ator, sério e dedicado
Que tenho a honra de ver atuar

É guarda furioso, é amante que abandona
É pedaço de pássaro que se desmancha no ar
É capiau amoroso, é rainha-mona
É alguém que me dá vontade de copiar

Tantos anos eu já no palco, sempre contente por ser meu lugar
Mas saio de cena, eu me desfalco, para deixá-lo trabalhar
Um colega-ator assim tão competente, poucas vezes pude encontrar
E com tanto de bom que ele tem pra mostrar, eu vou é deixar rolar

A generosidade ali é infinita
A alegria, algo contagiante
Sua alma, tão certa e tão bonita
De suas personagens, é um amante

Foram dois anos de convivência
Mas milhares de séculos de aprendizado
Amizade e alguma indecência
E nosso pacto está fechado

Rios de lágrimas já derramou
Por saudades, tristezas e alegrias
Mas a criatividade nunca se acabou
E eu espero não chegar esse dia

Múltiplo, coerente, inconseqüente
Um ator, um amigo, um homem
Tantas vezes certo, por vezes demente
É um prazer dividir o palco, a vida, o nome.

O nome é um mero enfeite
Pra esse cara que é um transtorno
Apesar de tudo, é um deleite
É meu amigo Ricardo Adorno

Teus Olhos

Tão perto, longe

Teus olhos, onde?

Espelho, mil lágrimas

Me dê um beijo

que eu preciso partir

Partir-me em dois.

Anos 30

Acordo.
Acordo.
Acordo, sinto-me acordando, mas permaneço de olhos fechados. Penso em abrir um olho e depois o outro, mas já fico cansada só em pensar nisso. Quero guardar o resto de sonho ainda, ao invés de me jogar de pára-quedas em um novo dia. Fico de olhos fechados e as pálpebras se incomodam, parecem reclamar e dizer: “abra logo seus olhos, raios!”, mas finjo que não escuto. Nem teria como escutar mesmo minhas próprias pálpebras. Acho que estou ficando louca.
As imagens do sonho se dissipam e o meu campo de visão se torna um eterno vazio. Entro em contato com a luz solar aos poucos. Alguém deve ter pensado no meu bem e vindo abrir as janelas para deixá-la entrar, mas eu não a quero. Não quero ter contato com o sol que traz vida e alegria. Não quero.
Quero ficar no escuro, dentro de mim, me nutrindo, me desgastando, me dissipando também como brumas. Não me quero mais e me quero ainda. E o tal sonho foi horrível, mas melhor que essa realidade de merda.
Abro os olhos em um impulso. O choque faz meus olhos contraírem e chiarem como chaleiras. Meu cérebro me levanta e fecha as janelas. Volto para a cama. Quero voltar para o sonho. Aquele sonho feliz que eu tinha. Aquela pessoa que eu era. E na janela só vejo neve, neve, neve e nada. Quebrei todos os espelhos e maquiagens. Pareço uma puta velha. Cansada dessa porra toda.
Velha.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Jorge

Jorge,

eu tenho uma confissão a fazer e talvez não seja algo fácil pra você ouvir, ler, na verdade. Não sei de uma maneira melhor para explicar ou contar isso, sem ser assim, explicitamente. A verdade é que eu sempre te amei. De perto e de longe, por anos, eu te amo e te amei desde os tempos do parquinho. Lembro com prazer das nossas brincadeiras, de você colocar o pé para eu tropeçar e eu fazer a mesma coisa. Lembro até do dia que você realmente caiu com tudo, bateu a boca no chão e lascou um dente. Sua mãe ficou furiosa e disse que eu era um irresponsável. Ela não entendia que eu era só uma criança e a gente fazia tanto aquela brincadeira que o acidente poderia  acontecer com você ou comigo. Mas você foi o azarado. Anos depois eu te disse que o fato de você ter um dente lascado era sexy. Dizia meio brincando meio de verdade, mas sabia que você nem me notava e ria amarelo da piada, só pra me deixar feliz.
O tempo passou e a gente foi pra mesma escola. Era longe pra burro e tínhamos que pegar o ônibus juntos, já que nossas casas eram perto uma da outra. E foram tempos difíceis, né? Hoje em dia falam tanto em bullying. A gente sentiu isso na pele e nem sabia o nome. Sobrevivemos juntos. Várias vezes eu fui te defender dos meninos maus do segundo ano que te chamavam de “jamanta gorda” e “elefante acéfalo”. E você nem era gordo. Depois foram as espinhas. E os piolhos. E o tal dente lascado. Falavam tanto desse dente lascado e eu não entendia o porquê daquela conversaiada. Eles eram uns idiotas, né? Eu sei que você ainda, mesmo depois de todos esses anos, tem tanta raiva deles quanto eu. A raiva não leva a nada, sabemos os dois, mas às vezes é difícil contê-la, né?
Mas tivemos bons momentos. Lembra da aula de artes que você desenhou o rosto do Macgyver e a professora achou que era o Marquês de Sade? Aí eu caí na besteira de perguntar quem era esse tal Marquês! Ela ficou roxa, se abanou com a mão e pediu desculpas. Eu ainda ouvi ela dizer para si mesma: “eu não devia ter dito nada, burra, burra, burra!”. Esqueci desse detalhe e só lembrei dessa história quando estudamos o Marquês na aula de literatura, anos depois. Depois de ler um conto desse cara é que eu entendi porque ela tinha ficado tão envergonhada.  A gente tinha só treze anos na época que ela falou aquilo, imagina! Ela podia até ser processada por citar Marquês de Sade em uma aula com menores de idade! Quanta baixaria ele escrevia! E você adorava! E eu adorava ver você adorando!
Aí veio o vestibular e o fim do colégio. Teve baile, festa, colação. E eu torci tanto pra você me convidar. Queria tanto entrar no salão do seu lado, mãos dadas, roupas bonitas e sorrisos de ouro em nossas faces. Virei uma pessoa nervosa, um ser humano à beira da explosão de ansiedade. E você não convidou. Você resolveu chamar a estúpida da Patrícia Lontes para ser seu par. Que raiva! Nossa, fico com raiva de você até hoje por causa disso! Não, não, não fico não, mas quero fazer drama... Foi um baile bacana, comida ótima, mas fiquei triste. Você estava se divertindo e eu me sentindo como aquelas almofadas que ficam jogadas de lado, às vezes no sofá, às vezes no chão, pegando pó. Poxa, logo eu, que fui uma almofada que te acompanhou a vida toda. Era tudo ciúme juvenil, claro, e acho até que você sabia, mas eu não conseguia não me sentir assim. Seria bom se a gente pudesse controlar as emoções e os sonhos, não é? Eu ia escolher sonhar só coisas boas, pois já tive cada sonho horrível que gostaria de simplesmente apagar de minha memória!
Fizemos o mesmo curso na faculdade e trabalhamos por anos na mesma empresa fazendo a mesma coisa. Fomos colegas, fizemos parcerias, saímos e entramos de projetos juntos. O chefe gostava dos dois, então sempre nos colocava pra trabalhar juntos e você com certeza se lembra disso. Os clientes só queriam fazer reuniões com a gente, os funcionários vinham falar com a gente quando tinham problemas – e isso que éramos tão funcionários quanto eles – e achavam que nós éramos os grandes salvadores da pátria. E eu sempre fazia a piada que eu não tinha cara de Lima Duarte! Ah, você tem que lembrar dessa piada! Lembra da novela em que o Lima era o principal e se chamava “O Salvador da Pátria”. Se bem que agora já estou com a memória tão fraca que nem sei se era isso mesmo. Mas não importa mais.
E eu nunca casei. Fiquei te esperando. Eu sabia (ou pelo menos queria acreditar) que alguma hora, mais cedo ou mais tarde, você iria perceber que também me amava e nós nos casaríamos, adotaríamos filhos (porque você é estéril e sabe muito bem disso, eu estava contigo quando você pegou o resultado do maldito exame), teríamos uma casa enorme e muitos livros. Mas você não percebeu. Você não sentiu. Você não casou. Nem adotou. Nem comprou os livros. 
Em uma das reuniões com clientes você conheceu a Ana Clara. Ela era linda e era mesmo. Morena de olhos verdes, alta, corpulenta, do estilo que você gosta. Eu não podia competir com ela. Deu-se o clichê óbvio. Café, cinema, festas, namoro, noivado, casamento, filhos. E eu lá. Observando de longe, participando de tudo e sorrindo. Meu sorriso continha a inveja que eu tinha de vocês. Eu era tão de casa que você não se acanhava em demonstrar amor e beijar aquela filha da puta na minha frente. Tenho certeza que se você soubesse o quanto isso me machucava, você não faria, não é? Diga que não faria, por favor, diga que não faria! Doía muito, Jorge, principalmente porque eu sabia que você era feliz. Te ver feliz com outra pessoa que não eu era horrível. E bom. E horrível. E bom. Uma dualidade de sentimentos cretina que me acompanhou por muito tempo.
Conheci seus filhos, vibrei quando você comprou a casa de campo e com tudo dando certo no trabalho. Eu também enriqueci, comprei uma casa boa, consegui pagar as dívidas da minha mãe, enterrei meu pai confortavelmente (lembro de você no enterro dele, você foi de terno preto e você estava maravilhoso de lindo. Eu enterrando meu pai e só conseguia pensar em você e em como seria bom se você me agarrasse e me puxasse pelos cabelos e fizesse amor comigo ali mesmo. No cantinho, no meio de todo mundo. Doença? Não, meu amigo, paixão!)
Seu casamento indo de vento em popa. Você feliz, realizado, completo e eu do seu lado e você sem me notar. Me notando sim, claro, mas não como eu queria. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Acreditei nisso e por muitas vezes rezei pra que Deus tivesse uma tremedeira nas Sagradas Mãos e o seu caminho enfim encontrasse o meu e pudéssemos viver juntos. Fechava os olhos à noite, na cama, e pedia para meus sonhos serem com você. Cada beijo seu e da Ana Clara me dilacerava a alma, parecia que meu corpo estava sendo retalhado aos poucos. Às vezes era ainda pior. Minha alma parecia se soltar de meu corpo e vagar sozinha por aí. E eu nem tinha a Wendy pra colar de volta com sabão. Eu tinha que fazer o trabalho todo. Eu que tinha que catar meus pedaços espalhados por toda a casa.
Em uma virada do destino, fiquei doente. Um vírus silencioso, contraído há tempos, resolveu finalmente se manifestar da pior maneira. Emagreci (talvez a única coisa boa dessa situação toda, afinal, nunca poderia pagar por uma lipoaspiração como você pagou para a Ana Clara), perdi cabelos, meus ossos ficaram frágeis e eu tive que me internar. Você veio me ver, trouxe meus chocolates favoritos e ficou comigo vendo as novelas das cinco, seis, sete e nove horas. Esses foram os momentos mais felizes da minha vida. Eu podia te ter só pra mim. Não existiam filhos, trabalho, Ana Clara, agência, nada. Ali, naquelas horas, você era só meu e só meu você era. Falávamos sobre as personagens, ríamos de bobagens, tínhamos idéias para viagens em conjunto. Minha mãe de vez em quando me trazia comida escondida do médico. Chocolates e doce de abóbora, que eu sempre guardava pra dividir com você porque eu sabia que eram os seus favoritos. Aí um dia minha mãe inventou de fazer pavê de chocolate com recheio de doce de abóbora e você foi à loucura. Ficou fazendo dancinhas ridículas no quarto do hospital e a enfermeira rindo, toda boba. Ela tinha prometido não contar nada para o médico. Você cativa as pessoas com seu carisma. Eu também ria e ficava feliz por você estar lá comigo. Apesar de tudo, eu sabia que meu tempo com você era curto. O médico me dava notícias cada vez piores, dia após dia. E eu não me desesperava, porque sabia que todos os dias, às duas da tarde, você chegaria e ficaria até as quatro. Que dias lindos foram esses! O céu estava azul, alegre e eu não me importava que chovia torrencialmente. Para mim o céu estava claro, azul, alegre, límpido, você.
E foi assim até hoje. Hoje você chegou e encontrou o quarto vazio. As faxineiras provavelmente já limparam o chão e o quarto está pronto para receber novos hóspedes. Provavelmente já te deram a notícia ruim e eu espero que você tenha derrubado algumas lágrimas por causa dela. Sim, meu coração não agüentou, Jorge. O médico disse que isso poderia acontecer. Quando ele me disse que eu tinha poucos dias de vida, resolvi não contar pra ninguém e te escrever essa carta. Dolorosa, longa, difícil, eu sei, mas necessária. Precisava morrer com você sabendo de tudo isso. Não sei o que me espera agora, na outra vida, mas queria fechar os assuntos dessa vida nessa vida. Não tive coragem, então espero que essa carta me ajude com isso. Pedi pra minha mãe te entregar assim que ela te encontrasse depois da minha morte. Sei que ela estará com os olhos vermelhos de tanto chorar. Eu amei muito minha mãe, Jorge, por favor, diga isso à ela. E faça com que ela acredite nisso.
Espero que sua vida seja boa, seu casamento longo, seus filhos amigos, seu trabalho na agência seja cada vez mais importante e que você consiga finalmente comprá-la, como você me disse uma vez que faria.
Se você algum dia me amou, ponha uma foto minha em um porta retrato e me guarde na sua gaveta. Quando sentir saudades – e se isso um dia acontecer – abra a gaveta, pegue a foto e me beije. Me beije, Jorge, como você nunca me beijou de verdade. Tenho a certeza de que vou sentir esses beijos lá do céu. Você não faz idéia de como eu esperei esses beijos, meu amor.
Seque as lágrimas que provavelmente estão correndo pela sua face agora e vá tomar um café de máquina, seu preferido. Não esqueça de se agasalhar no frio e de escovar os dentes, principalmente esse seu dente lascado, que é sexy. Cuide da Ana Clara e dos seus filhotes. Eu não tenho mais raiva, o que tinha que ser, foi. Destino é destino.
Não conseguiria morrer sem que você soubesse de tudo isso. Você foi tudo pra mim por toda a minha vida e vou te amar pra sempre, aqui na Terra como no Céu. Não vou revisar essa carta, ela é o fruto das minhas emoções todas e eu queria que você soubesse de tudo, assim, sem censura. 

                      Te amo, meu amor, te amo!

                                    do seu eterno apaixonado,

                                                            Paulo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Escritos, lembranças...

Eu sempre escrevi pra mim mesmo. Era um exercício pessoal, introspectivo. Escrevo desde sempre, eu acho. Sempre fui, artisticamente falando, bastante atirado. Nunca nada me impediu de tentar. Aprendi dois acordes no violão e já estava fazendo músicas com meu primo Gustavo Brito. Mal sabia eu que se tivesse aprendido um a mais já conseguiria tocar metade das músicas de rock e punk, hehe.
Acho que morar em casas com muitos livros e livros em todos os cômodos fez com que as palavras tivessem um lugar especial na minha vida. Sempre gostei de ler e lia coisas que não eram para a minha idade pelo simples prazer de ler. Muitos anos depois eu ouvi que o Saramago fazia a mesma coisa e pensei: “puxa, espero que algum dia eu escreva tão bem quanto ele”. Mesma coisa com o inglês – assim que tive minha primeira aula no colégio (my name is... hello...) eu já pegava a “Time” para ler artigos e não entender nada, claro. Às vezes eu sabia uma palavra ou duas, mas isso não impedia de ficar lá, lendo, lendo.
Saber que as pessoas gostam do que eu escrevo é algo mais recente. Escrevi uns contos quando era moleque e passei pro povo da família e vários disseram que eu escrevia acima da média. Sempre achei que isso fosse paparico pra não me deixar triste e não dei muito bola. Depois passei a ouvir de professores e gostei. Lembro inclusive de estar no colégio, tendo aula de Português com uma professora chamada Elizabete Hein. Estudávamos as propostas de redação de vestibulares e escrevíamos um texto por semana ou por quinzena, não lembro bem. Aí escrevi “Melodia Noturna”, um texto estranho, meio dark, que vou publicar aqui algum dia, talvez até no próximo post. O texto tem uma construção de personagem muito interessante, uma pessoa calma e pacata que se torna assassina. A Bete sempre pedia para que nós lessemos nossa produção para classe e vira e mexe eu era o escolhido. Lembro dos meus colegas pararem de fazer seja lá o que estivessem fazendo para me ouvir ler. E lembro também da expressão deles e da professora enquanto eu lia e tudo no texto se tornava mais estranho. E gostei disso. Provocar emoções.
Provocar emoções sempre foi um objeto de estudo vital. Fazer rir, fazer chorar, fazer emocionar, todo um rol de emoções que eu gostava de provocar nos meus amigos e familiares e gosto até hoje. Durante anos mantive no MSN o apelido cafonérrimo de “Compositor de Emoções”. Até hoje não faço a menor idéia de onde raios tirei isso, mas de uma forma ou de outra, isso explica um pouco do que eu gosto de fazer. Se não em pessoas, com certeza em personagens. Trabalhar a dor, a alegria, o desejo, em histórias quaisquer é muito bom e muito forte.
Ter feito teatro muitos anos me ajudou a entender o ser humano, suas reações, seus medos e preocupações. Ter feito Letras só agregou conhecimento e base de análise. Quem sou eu para falar de ser humano? Um pivete moleque chato metido a escritor? Talvez, mas tenho certeza de que posso entender o ser humano e todos podemos porque somos, afinal, humanos.
Aí decidi que queria escrever, claro, e queria também que os outros lessem. E criei meu primeiro blog – Ser que Ama – que ainda está ativo e o link está aqui do lado. Escrevi lá por um bom tempo e gostava de ter meus textos comentados. Me sentia importante e me sinto ainda, toda vez que alguém comenta o que escrevo, tanto nos comentários do site como ao vivo. Por um motivo besta (esqueci o raio da senha), não consegui deletar o outro blog e nem mais postar. Aí fiz esse aqui, o Ziggy, meu querido Ziggy. Esse blog é um dos meus xodós e os textos que escrevo aqui são pensados, escritos, montados com muito carinho, mesmo que muitas vezes o computador me dê vários bailes.
E fui ouvindo de várias pessoas que elas eram minhas fãs. Fãs do meu violão, do teatro eu gostava de saber, claro, mas fãs da minha escrita – isso foi o que me deu prazer maior. Eu acho que escrevemos, como diz a grande maravilhosa Clarice, que escrevemos para salvar a vida de alguém e talvez até a nossa própria vida, mas claro que queremos ser lidos. Lidos, admirados, publicados, comprados, transformados em filme, hehe. E saber que eu tinha fãs me deu uma sensação de dever cumprido. Quer dizer aquilo que começou como algo pessoal, solitário, assim o continua, mas pelo menos agora tenho pessoas para lerem meus contos e gostarem. E pedirem mais. E perguntarem porque não ando postando no blog.
Minha namorada, Karina, é uma delas. Ela sempre me pergunta onde estão os textos novos, e os poemas, e faz comentários sobre eles. Ela tem uma tendência a gostar dos textos mais estranhos, até os mais violentos que eu ficava meio culpado de escrever. Agora sei que mesmo esses tem uma fã e isso me deixa mais livre pra escrever e escrever e escrever. Ela agora assumiu esse blog também e está me ajudando a deixá-lo cada vez melhor. O banner novo, as cores novas, as formatações, organização, tudo isso é mérito dela! Eu, particularmente, acho que está tudo lindo! E estou muito orgulhoso de ver esse blog cada vez mais bonito.
Queria fazer um agradecimento a todos vocês que me acompanham, que torcem por mim, seja na literatura, na música, no teatro, que lêem as minhas coisas ou escutam minhas músicas ou vão me ver nos palcos (que eu ando meio afastado, mas ainda posso voltar). É tão bom saber que gente que está longe continua me acompanhando e comentando, assim como as pessoas que estão mais perto.
Queria fazer aqui também um agradecimento especial a Karina, meu amor, por ter transformado esse blog em algo ainda mais legal e ainda mais bonito.
Eu estou curtindo muito as mudanças todas e vocês? Já leram o blog hoje?


Saudações!

R.

Ps: Quer entrar em contato comigo e não sabe como? Fácil. Mande um email para ricamaciel@gmail.com que eu respondo o mais rápido que der, ok?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O 65 º aniversário de David Bowie: Por que a lenda do Glam Rock se contenta por ter se aposentado dos holofotes

por Barbara McMahon, Daily Mirror, 07/01/2012


Observando as prateleiras da elegante livraria McNally Jackson, no bairro de SoHo, em Nova York, um homem em um casaco cinza e sobretudo sóbrio sequer merece um olhar dos outros compradores. Cliente regular de uma das poucas livrarias independentes ainda restantes na cidade, onde, na maioria das vezes, compra livros sobre arte, o homem faz brincadeiras com os funcionários, antes de adquirir, dessa vez, alguns DVDs. Ele, então, retorna às ruas movimentadas de Manhattan e desaparece anônimo na multidão.
Quase ninguém nota que o homem com a mochila para computador pendurada casualmente sobre o ombro é David Bowie, o padrinho do Glam Rock e uma das mais enigmáticas lendas do rock'n'roll – e é exatamente assim que ele quer, pois o roqueiro ancião, que amanhã completa 65 anos e torna-se oficialmente um pensionista, aposentou-se dos holofotes e se contenta em viver sua vida tranqüila como um marido e pai. Acredita-se que Bowie - cujo nome verdadeiro é David Robert Jones – não escreve uma canção inédita em nove anos.
"Ele não está mais interessado", diz um amigo. “Seus dias são muito calmos. Ele lê muito, ele assiste filmes, pinta. Ele pega sua filha na escola na maioria dos dias e tem um ar de grande contentamento. Ele não tem nada a provar e viver uma vida normal pela primeira vez, é – para ele – muito exótico e muito atraente. Ninguém trabalhou e tocou mais do que David. Ele sente que ganhou o direito de fazer exatamente o que lhe agrada.”
No mês passado, uma vídeo de “The Jean Genie” no Top of The Pops ressurgiu depois de 38 anos. O corte do cabelo vermelho-fogo ao estilo cacatua, aparência andrógina e os estranhos figurinos ainda chocam, mesmo nestes dias de Lady Gaga.
A triste Grã-Bretanha dos anos 70 ficou chocada e foi seduzida por esta forma de vida alienígena, um rapaz do sul de Londres desesperado pela fama. Articulado e com um senso de humor seco, Bowie sabia como causar tumulto.


Desesperado para tirar Mick Jagger de seu pedestal de Pior Garoto do Reino Unido na época, Bowie declarou maliciosamente: "Eu acho que Jagger ficaria espantado e surpreso se ele percebesse que para muitas pessoas ele não é um símbolo sexual, e sim uma imagem de mãe." Miaow . Os dois mais tarde se tornaram amigos - mas foram ferozmente competitivos. Bowie agora olha para sua juventude ansiosa com diversão - embora ainda guarde todos os figurinos daqueles dias selvagens.
Quando encontrou o estrelato que ele ansiava por meio de sua estranha persona Ziggy Stardust, provou um amargo fruto. Bebida, drogas. Meninas, meninos. Bowie apreciou excessos em todas as áreas.
Enquanto mudava de personagens, numa tentativa de ficar um passo à frente – Major Tom, Halloween Jack, The Thin White Duke – ele se tornou viciado em cocaína durante uma década depois entregando-se ao alcoolismo. Todo o tempo ele manteve uma ética de trabalho feroz e produziu clássico após clássicos de “Ziggy Stardust” a “Aladdin Sane”, de “Station To Station” a “Low” e “Scary Monsters”.
A criatividade transbordava dele em sua quinta década de vida, mas os anos de corrida para ficar no topo junto com a resposta de seu corpo ao anos de drogas, bebidas e abusos tiveram uma reviravolta dramática. Um casamento feliz com a supermodel etíope Iman e a filha Lexi, agora com onze anos, o fez repensar.
“As pessoas esquecem o quão duro David trabalhava", lembra o amigo. “Ele sempre foi ambicioso e tinha muitas falhas antes de Ziggy ter lhe dado sua grande chance. Em seguida, ele trabalhou como um cão por 30 anos, então ele se sente muito confortável em tirar o pé do acelerador. Não há nenhuma agonia secreta ou medo do fracasso que o tenha levado a isso. Ele acha que o rótulo 'roqueiro recluso' muito divertido.”


Casa para Bowie é uma cobertura de 5 milhões de libras na Baixa Manhattan, de onde Iman assistiu os ataques de 11/9 horrorizada, enquanto o marido trabalhava na parte norte do estado. De acordo com uma revista sobre casas e propriedades, eles gastaram uma pequena fortuna decorando o enorme apartamento, que tem terraços, lareiras a lenha e pés direitos de quase oito metros de altura.
“Ele optou por uma aparência antiga inglesa, com tons de verde e couro e camurça e painéis de madeira escura”, disse uma fonte. "É a última coisa que eu esperaria dele.” Ele também tem um retiro nas montanhas de Catskill, a duas horas de carro de Manhattan. Uma década atrás, eles gastaram 750 mil libras em uma propriedade de 64 hectares em uma parte isolada do país, perto da cidade que já foi a Meca da Música, Woodstock. O refúgio tem paisagens arrebatadoras, hectares cobertos por bosques e oferece completa solidão de uma estrela do rock reclusa.
A transformação de Bowie de roqueiro alienígena a papai-sempre-presente deu-se após um ataque cardíaco durante um show na cidade alemã de Scheeßel em 2004. Ele tinha estado na estrada por dois anos promovendo seu último álbum de estúdio, “Reality”, na esteira de constantes viagens, e duas horas e meia por noite provaram ser tanto mental como fisicamente exigentes.
“Ele pensou 'o que po*** eu estou fazendo?’”, explica o amigo. “Ele tinha o dinheiro. Ele tinha feito a fama. E tudo que ele amava - Iman e Lexi - estava em sua casa em Nova York. Então ele parou.”
Enquanto ele defende novas bandas como Arcade Fire e TV On The Radio e goza de concertos de música clássica no Lincoln Center de Nova York, a música já não é uma parte crítica de sua vida. Sua primeira peça pública de atividade criativa em uma década aparecerá em outubro, quando ele publica Bowie Object, um projeto tipicamente peculiar.
Ele escolheu 100 objetos significativos de sua vida que serão fotografados e acompanhado por explicações sobre o porque eles foram uma influência. Uma Bowieana mudança no conceito de autobiografia.
O uma vez aluno da Escola Técnica Bromley, onde, adolescente, ele estudou design gráfico e arte, é um generoso e bem informado patrono das artes. Ele tem uma coleção muito admirado da arte britânica do século 20 e mantém um olho afiado para artistas novos.
Teatro, um de seus primeiros amores e uma inspiração para muitos de seus personagens, permanece central em sua vida.
Ele também é obcecado em fotografar o rápido desaparecimento dos edifícios industriais de Nova York, e foi um grande apoiador do grupo que salvou a High Line – linha férrea elevada da cidade – agora um espectacular parque urbano.
Preocupados em manter um low profile, Bowie raramente vai a eventos de tapete vermelho, mas ele é um marido companheiro para sua esposa, que tem a suas próprias marcas de tratamento de beleza e roupas. A última aparição pública juntos foi em abril, em um jantar beneficente.
Além de refeições ocasionais em restaurantes discretos, como Indochine e Babbo, eles ficam em casa. Desde de seus problemas cardíacos, ele cortou frituras - ele sente falta de uma boa fritada no período da manhã - mas ainda devora Torta do Pastor da sua mulher.
Ele é um pai entusiasmado, ajudando sua filha com a lição de casa e tocando piano e bateria com ela em seu apartamento. Ele conheceu Iman em 1990, após serem apresentados pela cabeleireira mútua. Bowie diz que foi amor à primeira vista. "Eu estava nomeando os filhos na noite que nos conhecemos...", ele recordou mais tarde.
Eles se casaram dois anos depois e sua ansiosamente aguardada filha Alexandria Zahra Jones, apelidada de Lexi, veio em 2000. O casamento com Iman acalmou Bowie. Ele tornou-se, em suas próprias palavras, "uma máquina limpa" e agora se abstém de drogas, álcool e cigarros, que já foram uma vez sempre presentes.
As ofertas continuam a vir ao seu escritório, na West 57th Street, todos os dias. Mas seu gerente de negócios de longa data Bill Zysblat e sua assistente pessoal Coco Schwab estão sob a instrução de não passá-las para Bowie.
“Ele gosta de ser normal”, acrescenta o amigo. "As ofertas têm sido tentadoras, em termos financeiros, mas nunca foi apenas sobre dinheiro com o David. Ele se atualiza nas últimas tendências da moda e da arte, mas não tem nenhum desejo agora para voltar para a labuta diária.”
“Neste estágio em sua vida, Bowie diz que fica feliz por passar tempo com sua família e por ser relativamente anônimo nas ruas de Nova York.
“As pessoas daqui são decentes nas interações com celebridades”, disse à revista New York alguns anos atrás. "Recebo o ocasional 'Yo Bowie' , mas é isso."
O Homem Que Caiu Na Terra está relaxando em seus Anos Dourados.

Traduzido e reeditado por Ricardo Maciel

Vida Longa ao Mestre!


David Bowie, o mestre. Parabéns pelo seu aniversário! 65 anos de genialidade!


Isso é o que eu vou fazer com o meu filho algum dia, se a minha futura esposa deixar! ;-)